Amígdalas e adenóide: quando operar.
Data: 29/03/2009

Estirpar esses órgãos pode parecer um método radical, mas ainda é o mais recomendado quando a criança sofre com infecções recorrentes.

O seu filho ronca desde muito pequeno, está sempre com o nariz entupido e respirando de boca aberta? Tem constantes infecções de ouvido e secreção nasal? Estes podem ser sinais de adenóide crescida ou inflamações nas amígdalas em função da respiração bucal. Mais do que alterar a respiração, as infecções da amígdala ou hipertrofia da adenóide provocam problemas no desenvolvimento crânio-facial (arcada dentária e músculos faciais), apnéia (parada da respiração durante o sono) e voz anasalada em função da respiração bucal.

As amígdalas ficam no início da garganta e são visíveis quando se abre a boca. Já a adenóide, fica na região chamda de rinofaringe, entre o nariz e a boca, e não é visível. Ambas são tecidos linfáticos e fazem parte do sistema de defesa do organismo. O problema é quando atrapalham mais do que ajudam. “Existem casos em que a própria amígdala infecciona mais do que o normal e é melhor retirá-la do que deixá-la”, diz o otorrinolaringologista Caio Soares, da equipe do Instituto Paranaense de Otorrinolaringologia (IPO). Ele explica, porém, que cada caso deve ser analisado individualmente e que a intervenção cirúrgica só é realizada em pacientes que tenham a qualidade de vida prejudicada. Muitas vezes os problemas podem ser controlados com medicamentos.

 

As cirurgias são recomendadas quando a criança tem infecções constantes e que demoram a melhorar, mesmo sendo tratadas com medicamentos. Também recomenda-se intervenção quando há dificuldade para respirar pelo nariz devido ao aumento da adenóide.

Tratamento

Fádoa Sidoli de Faria passou por uma cirurgia para diminuir a adenóide há um ano, quando tinha 2 anos e meio. Ela dormia com a boca aberta e roncava. Durante o dia também não conseguia respirar somente pelo nariz e com isso os resfriados vinham fácil, com muita dor de garganta. Além disso, o lábio de Fádoa ficou caído e a mandíbula apresentava-se pequena para a idade.

Com um ano de idade ela passou a ser acompanhada por um otorrinolaringologista. O tratamento com medicamentos não deu certo. Os sprays nasais e os antialérgicos só ajudavam a minimizar os sintomas. “É difícil não se preocupar com a cirurgia, mas foi tranqüila. Em poucas horas ela já estava em casa e se sentindo bem”, diz a mãe de Fádoa, Flávia Rafaella Sidoli.

A menina continua respirando com a boca aberta, só que agora mais pelo hábito do que pela dificuldade. Para corrigir a respiração e a postura labial faz exercícios de fisioterapia em casa, quase que diariamente. De acordo com o médico Caio Soares, a cirurgia melhora significativamente o quadro, mas é preciso avaliar o processo alérgico após a cirurgia e tratá-lo clinicamente.

Acompanhamento

Além do otorrinolaringologista, a criança que apresenta problemas na adenóide ou amígdalas deve ser acompanhada por um pediatra e um odontopediatra.

Inicialmente, é o pediatra quem pode identificar a causa de infecções seqüenciais. “Tento controlar a causa das infecções e observar. Se não melhorar em até seis meses, é bom procurar um especialista”, diz o pediatra Cícero Alaor Kluppel, que segue a linha da homeopatia.

Já o dentista acompanha as complicações com a má respiração, que podem causar deformações nos dentes e em toda a face. O dentista avalia o quanto a respiração bucal está interferindo no posicionamento dos ossos da boca e dos dentes. O odontopediatra Mário Gori Gomes costuma comparar a face a um prédio. A boca é o piso de baixo, o do meio é a cavidade nasal e o andar superior é a parte de cima da face. “O assoalho da cavidade nasal é o teto da sua boca, que chamamos de palato e que quando não é usado, atrofia. A respiração nasal faz com que o palato fique alto, curvo e a arcada superior ficará estreita”, diz.

Outra conseqüência para a boca são o lábio flácido e os dentes secos, mais sujeitos à cárie. Com o tempo, a pessoa não usa mais o nariz e vai ficando com o lábio relaxado, sempre aberto, os dentes vão entortando e sendo projetados para frente e para cima. “Se não for dada a devida atenção no começo da infância para tratar do problema, o reflexo será uma boca com problemas”, diz o dentista. Muito provavelmente esta criança terá de usar aparelho para reposicionar os dentes no futuro.

Em situações nas quais a voz da criança fica abafada ou anasalada, como conseqüência da má respiração, é indicado também o acompanhamento de um fonoaudiologista.

 

Como perceber se o seu filho sofre com as amígdalas e adenóide

-Sinais noturnos: ronco, apnéia, tosse, sono não repousante e posições não usuais. A criança se mexe muito na cama.

-Sinais diurnos: respiração bucal, voz anasalada, hipersalivação, baixo peso (gasta muito energia à noite para respirar), fadiga e sonolência.







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